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Capítulo 9
Key-In do Engrama


Dianética:
A Ciência da Saúde Mental

Livro Dois
A Fonte das Doenças Mentais

L. Ron Hubbard
Ponte para liberdade dos engramas da mente reativa
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Key-In do Engrama

     A única fonte de doença mental inorgânica e de doença psicossomática orgânica é o banco de engramas reativo. A mente reativa impinge estes engramas à mente analítica e ao organismo, sempre que eles são restimulados depois de lhes terem feito key-in.

     Numa vida, há muitos incidentes conhecidos que, aparentemente, têm uma influência profunda sobre a felicidade e a condição mental do indivíduo. O indivíduo lembra-se destes e atribui-lhes as suas dificuldades. Até certo ponto, ele tem razão: pelo menos está a olhar para incidentes passados que são mantidos no lugar por engramas. Ele não vê os engramas. De fato, a menos que conheça Dianética, ele não sabe que os engramas estão ali. E mesmo então, ele desconhecerá os seus conteúdos até que se tenha submetido a terapia.

     Pode-se demonstrar facilmente que nenhum momento de infelicidade de "nível consciente" contendo grande tensão ou emoção é responsável por causar a aberração e a doença psicossomática. É claro que esses momentos desempenharam um papel no assunto: eles foram os key-ins.

     O processo de fazer key-in de um engrama não é muito complexo. O engrama 105, por exemplo, foi um momento de "inconsciência" quando a criança pré-natal levou uma pancada do pai através da mãe. O pai, consciente da criança ou não, disse as palavras: "Maldita sejas, rameira imunda; tu não prestas!" Este engrama ficou onde foi gravado, no banco reativo. Agora este poderá ficar ali durante setenta anos e nunca sofrer um key-in. Este engrama contêm uma dor de cabeça, a queda de um corpo, o ranger de dentes e os sons dos intestinos da mãe. Qualquer um desses sons, após o nascimento, poderá estar presente em grandes quantidades sem fazer o key-in deste engrama.

     Mas um dia, o pai exaspera-se com o filho. A criança está cansada e febril - isto é, a sua mente analítica poderá não estar no seu nível mais alto de atividade. O pai tem um certo conjunto de engramas que dramatiza e um desses engramas e o incidente acima. Ele esbofeteia a criança, dizendo: "Maldito sejas; tu não prestas!" A criança chora. Naquela noite, ela tem uma dor de cabeça e está muito pior fisicamente. Sente tanto um ódio intenso como um medo do pai. O engrama fez key-in. Agora o som da queda de um corpo, o ranger de dentes ou qualquer vestígio de ira na voz do pai, fará a criança ficar nervosa. A sua saúde física sofrerá. Ela começará a ter dores de cabeça.

     Se tomarmos essa criança, que agora é um adulto, e examinarmos o seu passado, descobriremos (embora este possa estar ocluso) um lock semelhante ao key-in acima mencionado. E, agora não é somente o key-in; poderemos descobrir cinquenta ou quinhentos desses locks apenas sobre este único assunto. Dir-se-ia, a menos que se conhecesse Dianética, que essa criança foi arruinada após o nascimento ao ser espancada pelo pai e poder-se-ia tentar pôr a mente do paciente em melhor condição através da remoção desses locks.

     Há literalmente milhares, dezenas de milhares de locks numa vida média. Retirar todos esses locks seria uma tarefa para Hércules. Cada engrama que a pessoa tem, se sofreu um key-in, poderá ter centenas de locks.

     Se o condicionamento existisse como um mecanismo de dor e tensão, a Humanidade estaria em péssimas condições. Felizmente, esse condicionamento não existe. Parece existir, mas a aparência não é o fato. Poder-se-ia pensar que, se uma criança fosse empurrada de um lado para outro e injuriada diariamente, ela acabaria por ser condicionada a acreditar que a vida era assim e que o melhor seria virar-se contra esta.

     Contudo, o condicionamento não existe. Pavlov poderá ter sido capaz de enlouquecer cães através de experiências repetidas: isso foi simplesmente uma má observação da parte do observador. Os cães poderão ser treinados para fazer isto ou aquilo. Mas isso não é condicionamento. Os cães enlouqueciam porque recebiam engramas, se e quando de fato enlouqueciam. Uma série dessas experiências, adequadamente conduzida e observada, comprova esta afirmação.

     O menino a quem se dizia diariamente que ele não prestava e que, aparentemente, entrou em declínio apenas por isso, entrou em declínio somente devido ao engrama. Isto é uma circunstância feliz. Talvez o engrama leve algum tempo a localizar - algumas horas - mas quando for aliviado ou rearquivado nos bancos de memória padrão, tudo o que se tinha prendido a este também é rearquivado.

     As pessoas que não sabiam nada sobre engramas e que tentavam ajudar os outros a resolver as suas aberrações, estavam a trabalhar com muito poucas hipóteses de ter algum sucesso. Em primeiro lugar, os próprios locks poderão desaparecer para dentro do banco reativo. Assim, temos um paciente que diz: "Ah! O meu pai não era assim tão mau. Ele era muito boa pessoa". E descobrimos, e o paciente descobre, quando se solta um engrama que era costume encontrar-se o pai a dramatizar. Aquilo que o paciente sabe a respeito do seu passado, antes de os engramas serem soltos, não merece ser catalogado. No outro caso poderemos encontrar um paciente a dizer: "Oh, eu tive uma infância terrível, uma infância terrível! Era espancado violentamente". E descobrimos, quando os engramas são rearquivados, que os pais desse paciente nunca lhe tocaram para o punir ou o atacaram com ira, em toda a sua vida.

     Um engrama poderá acompanhar a pessoa durante décadas sem fazer key-in. Um dos tipos de caso mais extraordinários foi um que passou toda a juventude sem apresentar nenhuma aberração. Então, subitamente, aos vinte e seis anos de idade, encontramo-lo tão aberrado, tão repentinamente, que parecia que ele tinha sido embruxado. Talvez a maioria dos seus engramas tivesse a ver com o ato de se casar e ter filhos. Ele nunca se tinha casado antes. A primeira vez que ele fica fatigado ou doente e compreende que tem uma mulher nas suas mãos, o primeiro engrama faz key-in. Então, a espiral descendente começa a entrar em ação. Este engrama desliga o analisador o suficiente para que outros engramas possam sofrer um key-in. Por fim, poderemos encontrá-lo em um manicômio.

     A jovem que foi feliz e despreocupada até aos treze anos de idade e, então, de repente entra em declínio, não recebeu um engrama naquele momento. Teve o key-in de um engrama, que permitiu o key-in de outro. Reação de fissão. Este key-in poderá não ter requerido mais do que a descoberta de que ela estava a sangrar da vagina. Ela tem um engrama emocional a esse respeito; fica frenética. Os outros engramas, à medida que os dias passam, poderão colocar-se em posição de a afetar. E assim, ela adoece.

     A primeira experiência sexual poderá ser aquela que faz o key-in de um engrama. Isto é tão típico, que o sexo adquiriu a má reputação de ser, em si, um fator aberrativo. O sexo não é, nem nunca foi, aberrativo. A dor física e a emoção, que por acaso contenham sexo como assunto, são os fatores aberrativos.

     Poderá ser que uma paciente insista veementemente que o pai a violou aos nove anos de idade e que isso é a causa de toda a sua desgraça. Grandes números de pacientes insanos afirmam isto. E é totalmente verdade. O pai realmente violou-a, mas isso aconteceu nove dias após a concepção. A pressão e a perturbação do coito são muito desconfortáveis para a criança e, normalmente, é de esperar que isto lhe dê um engrama que terá como conteúdo o ato sexual e tudo o que foi dito.

     A hipnose por droga e perigosa quando se está a tentar tratar psicóticos, tal como já foi mencionado. E há outras razões pelas quais é perigosa. Qualquer operação sob anestesia ou qualquer narcotização de um paciente poderá causar o key-in de engramas. Aqui o analisador está desligado, o banco reativo está aberto para ser agitado por qualquer comentário que as pessoas façam na proximidade do sujeito narcotizado. O próprio hipnotismo é uma condição em que engramas, que nunca foram restimulados antes, poderão fazer key-in. O olhar vidrado da pessoa que foi "hipnotizada vezes de mais", a falta de vontade que se nota nas pessoas que foram hipnotizadas vezes de mais, a dependência do sujeito em relação ao operador hipnótico - todas estas coisas provêm do key-in de engramas. Sempre que o corpo seja posto "inconsciente" sem dor física, por mais ligeiro que seja o grau de `inconsciência", mesmo que seja apenas um ligeiro cansaço, um engrama poderá fazer key-in. E quando a "inconsciência" é complicada por uma nova dor física, forma-se um novo engrama que poderá juntar a si um monte de engramas velhos que, até à data, não tinham feito key-in. Um engrama tão tardio seria um engrama cruzado, por este cruzar cadeias de engramas. E se tal engrama resultou numa perda de sanidade, este chamar-se-ia um engrama de quebra.

     Há alguns aspectos das várias "inconsciências" causadas por drogas que foram bastante desconcertantes no passado. É frequente que as mulheres psicóticas afirmem que foram violentadas, depois de serem acordadas de um sono narcotizado (e às vezes de um sono hipnótico). Por vezes, há homens que afirmam que o operador tentou praticar um ato homossexual com eles, enquanto estavam narcotizados. Embora ocasionalmente aconteça que as pessoas são violadas depois de narcotizadas, o maior número dessas asserções é meramente um aspecto do mecanismo de key-in. Quase todas as crianças passaram pelo desconforto do coito antes de nascerem. Muitas vezes houve emoção violenta que não era paixão. Tal engrama poderá permanecer fora de circuito durante anos, até que a "inconsciência" por droga ou alguma coisa parecida lhe faça key-in. O paciente adormece sem ter um engrama ativado; acorda com um. Ele tenta justificar as estranhas sensações que tem (e os engramas são coisas intemporais, a menos que estejam adequadamente arrumados na linha do tempo) e sai-se com a "solução" de que deve ter sido violado.

     As violações na infância são muito raramente a causa responsável pela aberração sexual. Elas são o key-in.

     Quando se olha para os locks do nível consciente, vê-se tristeza, angústia mental e infortúnio. Algumas dessas experiências parecem ser tão terríveis que devem, certamente, causar aberração. Mas não é assim. O humano é uma criatura dura e resiliente. Essas experiências a nível consciente são, na melhor das hipóteses, apenas postes de sinalização que apontam para o centro real das dificuldades, do qual o indivíduo não tem um conhecimento detalhado.

     O engrama nunca é "computado". Um exemplo disso, em um nível ligeiramente aberrativo, pode ser encontrado em um castigo de uma criança. Se examinarmos uma infância em que os castigos tenham sido corporais e frequentes, começamos a compreender a total futilidade da teoria do estímulo pela dor. De fato, a punição literal e enfaticamente, não faz bem absolutamente nenhum, mas faz exatamente o oposto, porque esta causa uma revolta reativa contra a fonte de punição e é capaz de causar não só a desintegração de uma mente, mas também uma atormentação contínua da fonte de punição. O humano reage de modo a combater as fontes de dor. Quando para de as combater, é porque está mentalmente quebrado, sendo de pouca utilidade para os outros e muito menos para si próprio.

     Consideremos o caso de um menino em quem batiam com uma escova de cabelo, todas as vezes que era "mau". Ao pesquisar esse caso, o inquérito mais minucioso não conseguiu revelar qualquer recordação clara do motivo por que estava a ser castigado, mas somente que ele era castigado. O incidente desenrolava-se mais ou menos assim: atividade mais ou menos racional, medo perante a ameaça de ser punido, punição, tristeza pela punição, atividade renovada. As mecânicas do caso revelaram que a pessoa se tinha dedicado a alguma atividade que, quer os outros a considerassem como tal quer não, era, contudo, uma atividade de sobrevivência para ela, dando-lhe prazer ou ganhos reais ou mesmo a asserção de que poderia e iria sobreviver. No momento em que há ameaça de punição, as punições anteriores entram em restimulação como engramas menores, apoiando-se normalmente em engramas maiores. Isto desliga o poder analítico até certo ponto e a gravação agora é feita em um nível reativo. A punição é levada a cabo, submergindo a consciência analítica de modo que a punição seja registrada somente no banco de engramas; a tristeza que se segue está ainda no período de desligamento analítico; o analisador liga-se gradualmente; a consciência total retorna e então é possível retomar a atividade em um plano analítico. Todos os castigos corporais percorrem esta sequência completa e todos os outros castigos são, quando muito, locks que seguem este mesmo padrão, faltando-lhes somente o desligamento completo resultante da dor.

     Se o analisador quiser esses dados para computação, eles não estão disponíveis. Há uma reação na mente reativa quando este se aproxima do assunto. Mas há cinco rumos que a mente reativa pode tomar com esses dados! E não há, entre o Céu e a Terra, qualquer garantia ou método de saber que rumo é que a mente reativa tomará com os dados, exceto conhecendo-se todo o banco de engramas - e se este fosse conhecido, a pessoa poderia ser Clareada com mais algumas horas de trabalho e não necessitaria de punição.

     Essas cinco formas de tratar os dados fazem do castigo corporal uma coisa instável e que não merece confiança. Existe uma proporção que pode ser testada e comprovada na experiência de qualquer humano: um humano é mau na razão direta da ação destrutiva que foi dirigida contra ele. Um indivíduo (incluindo aqueles que a sociedade é capaz de esquecer como indivíduos: as crianças) reage contra as fontes de punição, sejam elas os pais ou o governo. Qualquer coisa que avance contra um indivíduo como fonte de punição será considerada, em maior ou menor grau (conforme os benefícios), como um alvo para as reações do indivíduo.

     Os pequenos acidentes dos copos de leite derramados pelas crianças, o barulho que ocorre acidentalmente no pátio onde elas estão a brincar, os pequenos estragos acidentais do chapéu do Papá ou do tapete da Mamã são, muitas vezes, ações frias e calculistas da mente reativa contra as fontes de dor. A mente analítica poderá contemporizar com o amor e afeto e a necessidade de três refeições completas. A mente reativa põe em ação as lições que aprendeu e manda as refeições para o diabo.

     Se soltássemos um idiota numa máquina de adição, deixando-o fazer a auditoria dos livros da empresa e permitindo-lhe que proíba o auditor de tocar no equipamento e nos dados de que ele precisa para obter as respostas certas, pouco se obteria em termos de respostas corretas. E se continuássemos a alimentar o idiota, engordando-o e tornando-o poderoso, a firma, mais cedo ou mais tarde, iria à falência. A mente reativa é o idiota, o auditor é o "Eu" e a firma é o organismo. A punição alimenta o idiota.

     O espanto impotente da polícia a respeito do "criminoso inveterado" (e a crença da polícia no "tipo criminoso" e na "mente criminosa") ocorre através desse ciclo. A polícia, por uma ou outra razão, como os governos, identificou-se com a sociedade. Tome qualquer um desses "criminosos", Aclare-o e a sociedade recupera um ser racional, algo de que irá sempre precisar. Mantenha o ciclo da punição e as prisões tornar-se-ão cada vez mais numerosas e estarão cada vez mais cheias.

     O problema da criança que se vira contra os pais por meio da "negação" e o problema do Jaime Caudilho que liquida o guarda de um banco em um assalto à mão armada provêm ambos do mesmo mecanismo. A criança, examinada no "nível consciente", não tem consciência das suas causas, mas apresentará várias justificações para a sua conduta. O Jaime Caudilho, que está à espera que esta sociedade-tão-senciente o amarre à cadeira elétrica e lhe dê uma terapia de eletrochoques que o leve a parar e desistir para sempre, ao ser examinado quanto aos seus motivos, apresentará justificações para explicar a sua vida e conduta. A mente humana é uma máquina de computação maravilhosa. As razões que ela pode desenvolver para atos irracionais têm espantado todos, sobretudo os assistentes sociais. Sem conhecer a causa e o mecanismo, as probabilidades de se chegar a uma conclusão correta através da comparação de todas as condutas disponíveis, são tão remotas como vencer um chinês no fantã. Por isso, as punições têm permanecido como a resposta confusa para uma sociedade muito confundida.

     Há cinco maneiras de um ser humano reagir a uma fonte de perigo. Elas são também os cinco rumos que ele pode tomar perante qualquer problema. Pode-se dizer que esta é uma ação de cinco valores.

     A parábola da pantera negra6 é aplicável aqui. Suponhamos que uma pantera negra, particularmente mal-humorada, está sentada na escada e que um homem chamado Gil está sentado na sala. O Gil quer ir para a cama. Mas há a pantera negra. O problema é chegar ao andar de cima. Há cinco coisas que o Gil pode fazer a respeito desta pantera:

  1. Ele pode atacar a pantera negra.
  2. Ele pode sair de casa fugir da pantera negra.
  3. Ele pode usar as escadas do fundo e evitar a pantera negra.
  4. Ele pode ignorar a pantera negra.
  5. Ele pode sucumbir à pantera negra.

     Estes são os cinco mecanismos: atacar, fugir, evitar, ignorar ou sucumbir.

     Todas as ações parecem seguir estes rumos. E todas as ações são visíveis na vida. No caso de uma fonte de punição, a mente reativa pode sucumbir, ignorar, evitar, fugir ou atacá-la. A ação é ditada por uma complexidade de engramas e depende de qual deles entra em restimulação. Contudo, esse turbilhão de reações geralmente resolve-se a si mesmo, com um dos cinco rumos.

     Se uma criança é punida e obedece daí em diante, pode-se considerar que ela sucumbiu. E o valor de um miúdo que sucumbe à punição é tão insignificante que os Espartanos já o teriam afogado há muito tempo, porque isto quer dizer que ele afundou-se na apatia, a menos que aconteça que ele próprio tenha computado a idéia, pondo de parte toda a reação, de que a coisa pela qual foi punido não era inteligente (ele não pode ser ajudado nessa computação se a punição for introduzida na mente reativa pela fonte que o tenta auxiliar). Ele pode fugir da fonte de punição, o que pelo menos não é apatia, mas meramente uma covardia, segundo o julgamento popular. Ele pode negligenciar completamente o assunto e ignorar a fonte de punição - e os antigos ter-lhe-iam chamado um estóico, mas os amigos poderão meramente dizer que ele é lento de raciocínio. Ele pode evitar a fonte de punição, o que lhe poderia dar o elogio dúbio de ser astuto, manhoso ou dissimulado. Ou ele pode atacar a fonte de punição por ação direta ou perturbando ou obstruindo a pessoa ou as posses da fonte - e no caso de ação direta chamar-lhe-iam um tolo valente, quando se toma em consideração o tamanho do pai ou da mãe; ou, no caso de um modo menos direto, poderiam chamar-lhe "encobertamente hostil" ou poderiam dizer que ele estava a "negar". Enquanto um ser humano atacar como reação a uma ameaça válida, pode-se dizer que ele está em bastante boa condição mental - "normal" - e no caso de uma criança diz-se que ela está "a agir como qualquer criança normal".

     Introduza a punição na computação e ela deixa de computar. No caso da "experiência" isto é inteiramente diferente. A vida tem muita experiência penosa à espera de qualquer ser humano, sem que seja preciso outros seres humanos para complicarem os fatos da situação. Uma pessoa que ainda tenha as suas dinâmicas desbloqueadas ou que tenha sido desbloqueada por Dianética pode absorver uma quantidade espantosa de pancadas na atividade da vida. Aqui, mesmo quando a mente reativa recebe engramas como resultado de alguma desta experiência, a mente analítica pode continuar a fazer face à situação sem se tornar aberrada de modo nenhum. O humano é um personagem rijo, resiliente e competente. Mas quando a lei da afinidade começa a ser quebrada e essa quebra de afinidade entra no banco reativo, os seres humanos, como fontes antagonistas de não-sobrevivência, tornam-se uma fonte de punição. Se não houver engramas contra-sobrevivência que envolvam seres humanos no conteúdo mais antigo (antes dos cinco anos) do banco de engramas, os engramas pró-sobrevivência são tomados como uma coisa natural e não são severamente aberrativos. Por outras palavras, é a quebra de afinidade com os seus semelhantes a um nível engrâmico que bloqueia as dinâmicas com mais solidez. A afinidade humana pelo humano é muito mais um fato científico do que é uma idéia poética ou idílica.

     Assim, é fácil deduzir qual é o ciclo de vida que será "normal" (estado médio atual) ou psicótico. Este começa com um grande número de engramas antes do nascimento; este acumula mais engramas na condição dependente e bastante indefesa depois do nascimento. Vários tipos de punição, que agora entram como locks, fazem key-in dos engramas. Entram novos engramas que vão envolver os mais antigos. Acumulam-se novos locks. A doença e a ação aberrada aparecem com a maior certeza por volta dos quarenta ou cinquenta anos de idade. E segue-se a morte algum tempo depois.

     Na falta da solução ótima de eliminar os engramas, há várias coisas que se podem fazer acerca da aberração e das doenças psicossomáticas. Que estes métodos sejam incertos e tenham apenas um valor limitado não quer dizer que eles ocasionalmente não apresentem alguns resultados espantosamente benéficos.

     Esses métodos podem ser classificados sob os títulos de mudança de ambiente, educação e tratamento físico. Retirar fatores do ambiente do aberrado ou retirar o aberrado do ambiente em que é infeliz ou ineficaz, pode produzir algumas recuperações espantosamente rápidas: esta terapia é válida; esta afasta os restimuladores do indivíduo ou afasta o indivíduo da presença dos restimuladores. Normalmente, isto é uma questão de sorte, falha mais vezes do que acerta e nunca removerá até nove décimos todos os restimuladores, uma vez que o próprio indivíduo traz consigo a maior parte destes ou é compelido a contatá-los. Isto faz lembrar um caso que sofria de asma severa. Ele recebeu-a em um engrama de nascimento bastante severo; os seus pais, frenéticos, levaram-no a todas as estâncias de montanha para o tratamento de asma que lhes eram sugeridas e gastaram dezenas de milhares de dólares nessas viagens. Quando esse paciente foi Clareado e o engrama rearquivado, descobriu-se que o restimulador da sua asma era o ar frio e puro! A única coisa certa na abordagem da mudança de ambiente é que uma criança doentia recuperará quando é afastada de pais restimulativos e levada para onde se sinta amada e segura - pois a sua doença é o resultado inevitável da restimulação de engramas pré-natais por um ou o outro ou ambos os progenitores. Algures pelo caminho há, provavelmente, um marido ou uma esposa que depois do casamento desceu cronicamente para as duas primeiras zonas, após ter casado com uma pseudomãe ou pseudopai ou pseudo-abortadeira.

     No campo educacional, novos dados ou entusiasmos poderão muito possivelmente fazer o key-out de engramas, ao desestabilizar a mente reativa à luz de um novo surto analítico. Se um humano puder simplesmente ser convencido que ele tem andado a lutar contra sombras ou puder ser persuadido a atribuir os seus temores a alguma causa indicada, seja esta verdadeira ou não, ele pode ter benefícios. Às vezes ele pode ser "educado" numa fé forte em alguma divindade ou culto que o faça sentir-se tão invulnerável que ele suba acima dos seus engramas. Elevar o seu potencial de sobrevivência, de qualquer maneira, elevará o seu tom geral até um ponto em que ele deixará de estar em um nível de igualdade com o banco reativo. Proporcionar-lhe uma educação em engenharia ou música, com a qual ele possa obter um nível mais alto de estima, frequentemente defendê-lo-á dos seus restimuladores. Na realidade, a subida para uma posição de estima é uma mudança de ambiente, mas também é educacional, visto que agora ensinam-lhe que ele é valioso. Se for possível ocupar um humano em um trabalho ou passatempo, por meio de educação pessoal ou exterior que lhe seja benéfica, surge outro mecanismo: a mente analítica torna-se tão absorta que toma para si cada vez mais energia para a sua atividade e começa a alinhar-se com um novo propósito.

     O tratamento físico, de que resulte uma condição física melhorada, proporcionará esperança ou alterará as reações de um humano ao mudar a sua posição na linha do tempo. Isso poderá fazer o key-out de engramas.

     Estes métodos são terapias válidas: são também, inversamente, as coisas que fazem com que as aberrações se manifestem. Há maneiras erradas de agir, coisas que é errado fazer e maneiras erradas de tratar os humanos que, à luz dos nossos conhecimentos atuais, são criminosas.

     Lançar um humano em um ambiente que o restimula e mantê-lo lá é, em parte, um assassínio. Fazê-lo manter um sócio que seja restimulativo é mau; fazer um homem ou uma mulher continuar com um cônjuge restimulativo é um costume que não funciona, a menos que se use a terapia de Dianética; fazer uma criança ficar em um lar restimulativo é com toda a certeza inibidor, não só da sua felicidade, mas também do seu desenvolvimento mental e físico - a criança deveria ter muitos mais direitos sobre essas coisas, mais lugares para onde ir.

     No nível da terapia física, qualquer coisa tão violenta como a cirurgia ou a extração de dentes, no plano psicossomático, é puro barbarismo à luz de Dianética. A "dor de dentes" é normalmente psicossomática. Muitas doenças orgânicas, em número suficiente para encher vários catálogos, são psicossomáticas. Não se deve recorrer a qualquer tipo de cirurgia, até se ter certeza de que o mal não é psicossomático ou que a doença não diminuirá sozinha, se a potência da mente reativa for reduzida. A terapia físico-mental, tendo agora a fonte da aberração como uma ciência, é demasiado ridícula para ser mencionada seriamente. Porque nenhum médico ou psiquiatra racional que possua esta informação voltaria a tocar em um eletrodo para a terapia de eletrochoque ou olharia sequer para um bisturi ou picador de gelo para fazer uma operação nos lóbulos pré-frontais do cérebro, a menos que esse médico ou psiquiatra seja tão aberrado que o ato surja, não de um desejo de curar, mas sim do sadismo mais absoluto e covarde a que os engramas podem levar um humano.


Notas de Rodapé:

6 Em Dianética, os pacientes e Dianeticistas desenvolveram uma gíria considerável e eles chamam à negligência de um problema o "mecanismo da pantera negra". Supõe-se que isto provém da absurdidade de morder panteras negras.