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Capítulo 7
Constelações familiares espirituais


O Amor do Espírito
na Hellinger Sciencia

Bert Hellinger
Re-formatação do
livro eletrônico original

Constelações familiares espirituais
        7.0.7  Nota preliminar
    7.1  A filosofia
        7.1.1  O corpo
        7.1.2  A alma
        7.1.3  O espírito humano
        7.1.4  O espírito criativo
    7.2  As Constelações familiares espirituais
        7.2.1  O campo espiritual
        7.2.2  Os movimentos do espírito
        7.2.3  O campo espiritual da família
        7.2.4  Campo e alma
        7.2.5  A alma da família
        7.2.6  A consciência
        7.2.7  A justiça
        7.2.8  O cativeiro do espírito
    7.3  O caminho fenomenológico do conhecimento
        7.3.1  O procedimento
        7.3.2  Meditação: A distância
    7.4  A alma
        7.4.1  A outra direção
        7.4.2  A seriedade
        7.4.3  O alcance
        7.4.4  A alma perdida
        7.4.5  A clareza
    7.5  Conectar o que está separado
        7.5.1  Na nossa família
        7.5.2  Na família de um cliente
        7.5.3  Dissonância e ressonância
    7.6  A outra maneira das Constelações familiares
        7.6.1  O desejo
        7.6.2  Dimensões da ajuda
        7.6.3  Atuar através da não-ação
        7.6.4  Os iniciantes
        7.6.5  Confiar na alma
        7.6.6  A proteção
        7.6.7  O incompleto
        7.6.8  Crescer em harmonia
        7.6.9  A não-ação
        7.6.10  Os caminhos diversos
        7.6.11  História: Duas maneiras de saber
        7.6.12  Outras publicações sobre o tema ajuda
            7.6.12.1  Livros
            7.6.12.2  Vídeos
            7.6.12.3  DVDs

7.0.7  Nota preliminar

     O que é novo nas Constelações familiares espirituais?

     1. A postura interna

     O condutor de uma constelação permite ser guiado por um movimento do espírito em todo o caminho e a cada passo. Este movimento nos guia para saber com quem podemos trabalhar, até onde podemos ir e quando precisamos parar.

     2. A concordância com tudo e todos, assim como são, sem julgamentos, com respeito e amor.

     3. Sem se preocupar, pois reconhece todos como sendo guiados por este movimento do espírito independente de seu destino e sua culpa.

     Sem imagens internas a respeito do que deve ser certo ou errado para o outro. Por isso ele está aberto a qualquer indicação que lhe é dada, através de sua observação cuidadosa e de sua sintonia com os movimentos do espírito, sendo encarregado de segui-la.

7.1  A filosofia

     Neste tipo de trabalho considerei bastante as razões mais profundas do comportamento humano, também do sofrimento e da felicidade. No fundo era filosofia. Porém uma forma especial de filosofia, uma filosofia que surge a partir da sintonia com algo diferente.

     O que era a filosofia, originalmente? A filosofia olhava para algo, observava cuidadosamente, expunha-se a uma multiplicidade de fenômenos. À medida que o filósofo, o homem que ama a sabedoria - é isto que significa filósofo - expunha-se a esses fenômenos, revelava-se para ele subitamente o essencial, a partir dessa multiplicidade de fenômenos.

     Filosofia significa: reconheço de repente o essencial por trás do que se encontra em primeiro plano. Quem reconhece a essência, quer dizer, que possui o conhecimento da essência, é capacitado e impulsionado para agir através desse conhecimento. Esse tipo de reconhecimento precisa ser aplicado. Quando não é, permanece vazio ou então, o reconhecimento que não possibilita uma aplicação não é um conhecimento da essência.

     Este tipo de trabalho é possível apenas por ter sido precedido por esse tipo de conhecimento. Aqui a postura do ajudante é a de um filósofo. Isso significa: ele se expõe àquilo que se revela simplesmente assim como é e se torna internamente vazio, sem intenções, sem lançar mão de um conhecimento anterior, sem medo. Então lhe é revelado, como um raio, o próximo passo essencial e ele o dá. Depois disso, não sabe como prosseguir, pois o conhecimento jamais é perfeito. O conhecimento da essência jamais é uma verdade generalizada. É apenas uma indicação em relação ao próximo passo que precisa ser dado e que é possível. Quando esse passo é dado, tudo começa de novo. O ajudante espera novamente para que se revele o próximo e deste modo desenvolve-se algo em constante sintonia com aquilo que atua de forma criativa por trás das coisas.

7.1.1  O corpo

     O que é isto que atua de forma criativa? Darei um pequeno exemplo para que possamos compreendê-lo melhor. O que é vivo, o corpo, por exemplo, é guiado por uma força criativa que mantém tudo junto e que guia o que é vivo. Com ele faz surgir algo novo de modo criativo. Conhecemos essa força como alma. O corpo vive, pois é animado pela alma.

     A vida do corpo segue determinadas ordens. Tudo que é vivo desenvolve-se segundo uma ordem preestabelecida. Essa ordem, no entanto, não se encontra concluída, pois o vivo continua se desenvolvendo. Mesmo assim, algo é preestabelecido. Aquilo que é preestabelecido não pode ter sua origem no mundo material, deve ter outra origem que está acima do mundo material e que não está submetida a uma ordem.

7.1.2  A alma

     Aquilo que capacita a alma a animar o corpo e a levar o que é vivo adiante, movimentando-o, também segue ordens preestabelecidas. Por exemplo, a alma não permite a exclusão. Essa é uma ordem preestabelecida que, entretanto, não pode ter sua origem na própria alma e sim em algo que está acima dela.

7.1.3  O espírito humano

     Acima da alma encontra-se o espírito humano. O espírito se prima por ser ilimitado. Por exemplo, podemos nos movimentar com nosso espírito até as galáxias mais distantes, em segundos estamos lá. Ou então estabelecemos um contato com uma pessoa muito distante e, em segundos, estamos lá. Através do espírito superamos todas as distâncias em poucos segundos.

     Mesmo assim o espírito humano também segue ordens, não se encontra além delas. Por exemplo, podemos pensar apenas segundo certas categorias, tais como: causa e efeito ou espaço e tempo. O espírito humano também segue determinadas leis lógicas. Essas ordens e leis são preestabelecidas para o nosso espírito. Podemos apenas pensar por intermédio dessas ordens. Nesse sentido precisa existir ainda algo diferente para além do espírito humano, algo que prescreve tais ordens e que atua para além delas. Do que se trata?

7.1.4  O espírito criativo

     Tem que ser algo espiritual, mas não como o espírito humano. É algo que pode ser observado, pois podemos observar que tudo que existe se move. Tudo está em movimento, quer dizer, em um movimento criativo. Por trás age uma força que é criativa, inesgotavelmente criativa. Esta é a força essencial.

     Quando nos tornamos vazios internamente, entramos finalmente em contato com nossa causa primeira. Trata-se dessa força criativa. Essa causa primeira não é apenas minha causa primeira, é a causa primeira de cada um de nós, do mundo como um todo. À medida que entro em contato com essa causa primeira, encontro-me simultaneamente em contato com todos os outros. Nesse contato, porém, quando me desloco para essa profundeza, não sou mais eu que atuo a partir de mim mesmo. Minha causa primeira atua em conjunto com todos os outros, pois é a causa primeira deles e também a minha. Neste trabalho, o ato de atuar criativamente surge apenas através desse caminho e dessa conexão. Por isso podemos realizar este trabalho apenas quando tivermos caminhado pelo menos parte desse caminho do conhecimento, quando tivermos internalizado essa filosofia, quando algo se realiza através e para além de nós, e não somos mais nós mesmos. Então podemos realizar este trabalho.

     Isso naturalmente não é mais psicoterapia. Este trabalho vai muito além. É filosofia aplicada e capacitação para a vida. Se desejássemos reduzi-lo às categorias da psicoterapia, perderíamos de vista o essencial.

7.2  As Constelações familiares espirituais

     O que significa Constelações familiares? Descreve um processo, uma família é constelada. Em um grupo uma pessoa escolhe representantes para seus pais e seus irmãos e também para si próprio e os coloca em um espaço, um em relação ao outro.

7.2.1  O campo espiritual

     O que acontece em seguida? De repente os representantes sentem como as pessoas que representam, sem saber algo sobre elas. O que ocorre nas Constelações familiares está em conexão com uma totalidade maior, com um campo espiritual em que todos os membros familiares estão presentes, em ressonância com todos. Todos podem estabelecer uma relação com todos, nem sempre de modo consciente, porém através de seus comportamentos e sentimentos. O quanto isso é profundo revela-se passo a passo através das Constelações familiares.

     Nessas Constelações familiares algo também vem à luz através desse campo espiritual. Esse campo espiritual possui uma alma em comum, segue certas leis e faz valê-las, acarretando consequências amplas para a família e a todos que a ela pertencem.

     Nesse sentido podemos aprender as Constelações familiares de forma mais geral, simplesmente à medida que constelamos a família. E isso tem imediatamente um efeito.

     Porém, aquele que procede dessa forma já sabe algo a respeito desse campo espiritual?

     O conhecimento sobre o campo espiritual é uma premissa para oferecermos as Constelações familiares de modo curativo e solucionador. Ter familiaridade com as leis desse campo espiritual e com os efeitos que têm é parte integrante do treinamento.

7.2.2  Os movimentos do espírito

     Quando nos movemos dessa forma por vezes nos deparamos com um limite. Essa maneira das Constelação familiares se depara com um limite. Então precisamos nos mover para o próximo nível. Trata-se de um nível abrangente, espiritual, totalmente diferente. Nesse nível espiritual somos captados e guiados por uma outra força e não conseguimos mais agir como antes. Por isso nos recolhemos. Sentimos o movimento dessa força espiritual, movimentamo-nos com ela e percebemos que ela move algo nas almas, porém de modo totalmente diverso do que imaginamos. Aqui nos recolhemos por completo e nos entregamos a esse movimento: aqui cessa o fazer. Não podemos mais dizer: "Agora farei uma constelação familiar". Aqui nos movimentamos em sintonia com outras forças.

7.2.3  O campo espiritual da família

     O campo espiritual da família pode ser comparado aos campos morfogenéticos dos quais nos fala Rupert Sheldrake. Ele fez uma observação importante em relação aos campos morfogenéticos: não são capazes de se modificar a partir de si mesmos. Nos campos morfogenéticos algo se repete constantemente. Vemos isso também quando olhamos para o campo familiar.

7.2.4  Campo e alma

     Existem algumas confusões sobre os termos campo e alma. Sheldrake me disse em uma conversa: "Campo não é um bom termo."

     Os primeiros que se dedicaram a estudar os campos foram filósofos alemães no início do século passado. Já haviam sido feitas observações relativas aos campos espirituais. Eles usaram a palavra "alma". Falavam de uma alma generalizada e também da alma do mundo. Mas a palavra alma não era aceita pela ciência. Por isso, preferiam falar em campo.

     De qualquer forma, podemos observar que um campo espiritual segue determinadas ordens que se encontram em movimento e que deseja alcançar algo com esses movimentos. Porém, poderá realizar tal empreendimento só se tiver consciência. Um campo não pode ter uma consciência, por isso, aqui o termo alma é mais adequado. Por isso me refiro frequentemente a uma grande alma.

7.2.5  A alma da família

     Agora, porém, tenho as minhas dúvidas. Essa alma familiar encontra-se presa nesse campo, isto é, nesse campo tudo se repete. Os destinos da família são repetidos. Quando uma pessoa se encontra emaranhada no destino de um membro familiar anterior, comportando-se de modo correspondente, então alguém de uma próxima geração se encontrará emaranhado com ele. Portanto, o emaranhamento não soluciona nada.

     Sheldrake observou que algo de fora precisa vir ao encontro dessa alma, algo maior. Ele o denominou spirit. Darei alguns exemplos para que possamos compreendê-lo melhor.

     Os psicanalistas, por exemplo, são um campo. Dentro desse campo todos se comportam da mesma forma. Precisam se comportar de modo semelhante. Quando um deles faz uso de um outro método, ameaça o campo. Por isso, às vezes é excluído do campo. O campo tem ainda outro efeito: determina o que podemos perceber. Proíbe-nos de perceber ou pensar determinadas coisas.

7.2.6  A consciência

     Antes de mim nenhum filósofo ousou olhar de modo mais minucioso para a consciência. Todos estavam sob a esfera da consciência, também grandes filósofos como Kant. Não conseguiam perceber que pessoas e grupos diversos possuíam consciências diversas que se opunham. Sem falar do Cristianismo, onde a consciência vale como o que há de mais elevado, inclusive como a voz de Deus dentro de nós. As contradições que se encontravam imbutidas nessa concepção não podiam ser percebidas.

7.2.7  A justiça

     Tive ainda outra compreensão muito importante nesse contexto. Por exemplo, em relação à justiça. Ela é considerada um grande bem e um grande objetivo. Já houve justiça um dia? Vocês já viram a justiça ter êxito? Ela não existe. Existe apenas enquanto idéia, a idéia de que precisamos alcançá-la. O que acontece quando a alcançamos? Alguém é assassinado. Todos os grandes sacrifícios são feitos em nome da justiça. As guerras querem estabelecer a justiça. Na última guerra mundial cada cidade alemã foi ofertada como holocausto da justiça. Literalmente. Cada cidade alemã tornou-se vítima da vingança, foi incendiada e destruída em nome da justiça.

     Para quem foi feita a oferenda? Para um ídolo que se chama justiça. Pois é isso que na religião esperamos de Deus, que ele estabeleça a justiça. Nesse sentido, Deus serve a quem? Serve ao ídolo da justiça. Desse modo deixa de ser Deus e é unicamente um ídolo.

     Isto é totalmente compreensível. Por que então ninguém pensa em olhar melhor para isso? Por que neste campo morfogenético é proibido olhar de forma exata para isso.

     Existem muitos campos desta espécie. Os médicos, por exemplo, formam um campo com grandes conquistas, porém muitas compreensões sobre as razões das doenças não penetram nesse campo, pois existe uma proibição de percepção em relação a isso.

     Muitos terapeutas, também consteladores familiares, movimentam-se em um campo assim e não podem perceber certas coisas.

7.2.8  O cativeiro do espírito

     Muitos psicoterapeutas encontram-se presos a uma determinada visão de mundo que se ergue tal como um muro à sua volta. Não conseguem ir além dela, a não ser que se abra uma nova janela ou uma nova porta.

     Quero dizer algo sobre este cativeiro. Pessoas que pertencem a uma determinada escola psicoterapêutica ou a um determinado partido, religião ou profissão encontram-se em um campo morfogenético. Rupert Sheldrake investigou tal fato mais de perto.

     Morfogenético significa: quando alguma coisa se desenvolve segundo um determinado padrão, mais tarde esse padrão determina o que acontecerá nesse campo. O padrão se repete.

     Darei um exemplo: Sigmund Freud descobriu algo especial e nesse sentido prescreveu um determinado padrão, uma determinada visão de mundo e um determinado método de tratamento. Quem entrar mais tarde nesse campo terá dificuldades em se abrir para novas concepções, pois o campo assume o comando de modo amplo. Pensará e agirá de uma determinada forma, permanecendo preso nesse campo.

     Quando alguém se torna advogado, junta-se igualmente a um campo morfogenético. Quando alguém segue uma determinada religião se junta igualmente a um campo morfogenético. As pessoas que ocupam cargos de liderança em um campo morfogenético falam quase sempre o mesmo e se movimentam infinitamente em torno do mesmo tema, através das mesmas palavras. Os membros de um partido político também penetram em um campo morfogenético.

     Este campo morfogenético age como uma consciência. Quando os membros se permitem pensar sobre algo, de forma diferente, de repente se sentem desconfortáveis ou até mesmo com medo e sentirão a consciência pesada.

     O trabalho das Constelações familiares também não está isento da possibilidade de formar um campo morfogenético. Existe apenas uma saída. Mantemo-nos constantemente abertos para o novo, como os olhos de uma criança que descobre algo novo a cada dia.

     Muito do que vi aqui não pode ser reduzido a algo que já disse, escrevi ou fiz antes. Isso só pode ser experimentado quando nos abrimos para o novo e para o desconhecido.

     Quando observamos um movimento em um determinado ponto no campo, então a mudança está acontecendo dentro dele.

7.3  O caminho fenomenológico do conhecimento

     Nas Constelações familiares duas leis básicas da vida e dos relacionamentos humanos vêm à luz. Trata-se de uma compreensão espiritual. Fui presenteado com ela em um caminho especial de conhecimento. Eu o denomino o caminho fenomenológico do conhecimento.

7.3.1  O procedimento

     Elucidarei o procedimento para que possam entrar em sintonia com este tipo de conhecimento. Podemos trilhar este caminho do conhecimento quando lidamos, por exemplo, com um cliente, com o problema de um cliente. Através deste caminho do conhecimento encontramos, então, a compreensão para o próximo passo.

     Explicarei o mesmo através de um exemplo onde apliquei isso, pela primeira vez, de modo consciente. Através desse caminho obtive as compreensões essenciais sobre a consciência. Minhas compreensões sobre a consciência e sobre estas leis da vida constituem as compreensões fundamentais, imprescindíveis para as Constelações familiares.

     O primeiro passo deste caminho de conhecimento é: eu esqueço tudo o que já foi dito antes sobre o problema. Seja lá o que é ou foi dito, deixo de fora, esqueço.

     Vocês podem fazer o mesmo com o cliente. Seja lá o que for que ele diga, esqueçam. Não se norteiem de modo algum por aquilo que ele diz, isto é, criem um espaço entre vocês e o problema dele.

     Em relação à consciência me expus de modo totalmente novo à ela, esquecendo tudo o que já foi dito sobre ela. Esta foi a primeira distância.

     A segunda distância é que me exponho a uma situação ou a um problema de um cliente sem nenhuma intenção.

     Em relação à consciência, por exemplo, não quis saber nada sobre ela, pois com esse conhecimento eu teria querido aplicá-lo a alguma outra coisa. A intenção me impediria de realmente perceber. Isto cria a segunda distância. O fato de minhas compreensões sobre a consciência terem posteriormente um amplo efeito, é outra coisa. A aplicação intencional dessas compreensões em todos os âmbitos da vida e do amor é uma consequência da percepção pura.

     Agora eu aplico isto à ajuda. Expomo-nos a um cliente sem intenções, sem a intenção de ajudá-lo. Renunciamos a todas as idéias sobre o que poderia ajudá-lo.

     Agora vocês podem sentir em si mesmos o quanto estarão centrados, se fizerem desta maneira: vocês esquecem o que o cliente disse e não têm nenhuma intenção.

     Mas vocês estão presentes. Estão presentes para ele. Percebem quanta força obtêm, nesse instante? Sobretudo, o cliente não possui mais poder sobre vocês, porque vocês estão simplesmente centrados.

     A terceira distância é: permanecemos sem medo. Não sentimos medo do que se revela e nem do que as outras pessoas dirão, quando permanecemos dentro da postura do esquecimento e da falta de intenção. É o que há de mais difícil, porém, quando permanecemos nessa postura sentimos uma força diferente. Agora estamos abertos para um novo conhecimento, talvez um conhecimento inusitado, talvez para um conhecimento que nos amedronta.

     O que descrevi aqui é um caminho de purificação. Através dele somos purificados internamente.

     Agora chega ao que realmente importa. À medida que me exponho a uma situação ou a um problema, dessa maneira, isto é, do modo como se revela, algo lá fora se centra e de repente percebo o que realmente importa: o essencial. Sou presenteado com o essencial. Ele se revela para mim, portanto estamos voltados para a questão sem fazermos nada. Assim, algo se revela e vem ao nosso encontro, mostra-se para nós. Então, esse conhecimento é receptivo, ao invés de ativo.

     Toda grande arte é um conhecimento deste tipo, também a arte de entrar em sintonia com os animais. Por exemplo, o encantador de cavalos: não foi imediatamente até ele, expôs-se a ele com respeito, até que o cavalo foi até ele.

7.3.2  Meditação: A distância

     Farei um exercício com vocês. Fechem os olhos e imaginemos alguém por quem gostaríamos de fazer algo. Um cliente, por exemplo, ou alguém da família, alguém que gostaríamos de ajudar, com quem nos preocupamos, por exemplo, uma criança.

     Expomo-nos a essa pessoa a uma certa distância, uma ampla distância, sem nenhuma intenção, sem preocupações, sem lamentá-la, sem medo, sem receio daquilo que talvez possa acontecer. Permanecemos nessa postura.

     Vemos o que se modifica nessa pessoa - e em nós. O modo como ambos entramos em sintonia com algo maior, para além de nossas preocupações.

     Em seguida, olhamos para além dessa pessoa, por exemplo, para o seu destino e depois ainda para além de seu destino, para bem longe. Estamos simplesmente presentes, de modo centrado.

     Dizemos, então, primeiramente: sim, e depois, após um tempo, uma segunda palavra: por favor.

     Desse modo nos exercitamos cada vez mais no que, em última instância, significam as Constelações familiares espirituais. Nós acompanhamos esse movimento.

7.4  A alma

     A alma é uma força que une o que se encontra separado, guiando-o para uma certa direção. A interação de nossos órgãos, por exemplo, é possível apenas porque existe uma força que os une e guia. Dessa forma experimentamos a alma dentro de nós mesmos.

     A alma une, simultaneamente, os membros de uma determinada família e os leva em uma determinada direção. Também aqui se trata da alma, de uma alma ampliada. Ela não permite a exclusão de qualquer coisa. Também aqui os movimentos da alma desejam juntar algo que se encontra separado. A alma maior, a alma familiar capta, por exemplo, os representantes, durante uma constelação familiar. Eles são captados por ela e se movimentam em uma direção onde, no final, o movimento une algo que antes estava separado.

7.4.1  A outra direção

     Algumas vezes podemos imaginar qual o ponto decisivo que une as coisas e sabemos, a partir de certas experiências, o que pode ou talvez deva ser a solução final. Estas ordens se revelam durante as Constelações familiares e contribuíram, no caso de muitas famílias, para que algo que se encontrava separado pudesse ser unido novamente.

     Quando, no entanto, trata-se de emaranhamentos graves ou de destinos especiais, os movimentos da alma podem seguir em uma direção inesperada e talvez indesejada por nós. Levam, por exemplo, às vezes, à morte, de modo que a morte nos parece inevitável. Porém, quando confiamos nesse movimento sem interferir, sem nos opormos ao mesmo, o movimento de repente muda, de forma inesperada, de modo que uma solução pode surgir, uma solução que não pudemos prever e que vai muito além daquilo que desejávamos. No final reconhecemos que estávamos conectados com algo maior, diante do qual nossos pensamentos e desejos fracassam.

     Quando percebemos o que ocorre nesses movimentos, às vezes desejamos compreendê-los melhor e tenho a suspeita de que muitos de vocês acreditam que eu sei do que se trata e que eu não o digo. Mas eu também não sei. Apenas olho e percebo o efeito.

7.4.2  A seriedade

     No final de um movimento dessa espécie se encontra a seriedade. Aqui cessa qualquer jogo. A seriedade conduz a um centramento interno especial, não apenas os representantes e o cliente, mas todos que se encontram presentes e realizam esse movimento em sua alma. A partir desse centramento e dessa seriedade podemos concluir que aquilo que ocorreu é significativo, mesmo quando não o compreendemos.

7.4.3  O alcance

     Nas Constelações familiares, como muitos as conhecem, muitas vezes nos movimentamos apenas até os avós, talvez ainda até os bisavós. Dentro dessas gerações recebemos, via de regra, uma imagem clara sobre quem se encontra emaranhado com quem. Algumas vezes, no entanto, os emaranhamentos têm um alcance maior. É possível observar em algumas constelações que algo decisivo ocorreu há várias gerações atrás, algo que não conseguimos apreender, mas que continua nos influenciando no presente.

     No caso de psicoses os pacientes muitas vezes se encontram influenciados por um passado mais longínquo. Também no caso dos índios na América, tanto na do Sul como na do Norte, podemos observar que continuam sendo influenciados intensamente por aquilo que ocorreu séculos atrás, apesar de não ser possível especificar do que se trata, exatamente.

     Até onde sei, é sempre a mesma coisa que influencia os destinos das gerações posteriores de modo tão intenso. Trata-se sempre de um assassinato ou de vários.

7.4.4  A alma perdida

     O que ocorre com alguém que assassinou uma outra pessoa? Perde a sua alma. Então essa alma é procurada. Quando o assassino não a encontra, as gerações posteriores procurarão por ela. Onde está essa alma? Com a vítima. Podemos resgatá-la lá, onde se encontra a vítima. Por isso, quando procuramos por essas grandes soluções que nos conduzem à paz, torna-se necessário olhar para as vítimas, chorar com profunda compaixão sobre seu destino. Assim as acolhemos em nossa alma. Desse modo acolhemos igualmente a alma perdida dos agressores em nossa alma. Só depois disso tudo pode ficar no passado.

7.4.5  A clareza

     Muitas vezes tateamos no escuro, sem informações e mesmo assim algo importante vem à luz e tem um efeito que continua atuando quando não interferimos.

     Na psicoterapia e, em muitos sentidos, também nas Constelações familiares, principalmente da forma como eram realizadas no início, procuramos por uma solução e muitas vezes a encontramos.

     Quando se trata de algo mais profundo, não podemos fazê-lo desse modo, nós acompanhamos um movimento da alma, como ele se revela. No momento que começa, podemos parar. Esse movimento continua por si só.

     Quando procuramos por uma solução, muitas vezes já possuímos uma imagem de como ela deveria ser. Existem situações onde essa imagem está certa e desenvolve um bom efeito. Nesse caso específico isso não foi possível. Não sabemos qual poderia ser a solução, porém pudemos observar um movimento. Quando esse movimento vem à luz e permitimos que a imagem desse movimento permaneça da forma que se revela, sem querermos mudá-la, a força é muito maior do que se procurássemos por uma solução.

     A chance de algo se modificar é maior quando paramos na hora certa. Principalmente o ajudante permanecerá conectado com uma força maior, e o cliente também.

     Então existe algo que atua, algo que se encontra para além de nossas habilidades. Estar em sintonia com o caminho e com o movimento da alma, seja para onde conduzam e mesmo que nos conduzam à morte, cria clareza. Tudo se torna claro, tanto para o cliente como para o ajudante. E ficamos humildes.

7.5  Conectar o que está separado

     Quero dizer algo sobre distúrbios psíquicos. Como surgem? Por que alguém procura por uma psicoterapia? Normalmente por encontrar-se desconectado de alguém. A partir do momento em que alguém se encontra desconectado de seus pais ou de um deles, perde energia e força. Está enfraquecido e desenvolve sintomas.

     A solução é bem simples. Refazemos a conexão com aquilo que se encontra separado. Como isso é possível? Que premissas o ajudante precisa trazer consigo para que esse empreendimento tenha êxito? O primeiro ponto é que o ajudante esteja conectado com seus próprios pais, seus ancestrais, seu destino, sua culpa e sua morte.

7.5.1  Na nossa família

     Podemos fazer um pequeno exercício a respeito. Fechem os olhos e sintam os seus pais em seus corpos. Pois não existe nada em nós que de início não tenha vindo de nossos pais. Nós somos os nossos pais. E assim ficamos amplos, internamente, até sentirmos os nossos pais como um todo dentro de nós, do modo como realmente são, sem o desejo de que poderiam ter sido diferentes.

     Do mesmo modo sintam os seus avós, os bisavós e todos aqueles que pertenciam à família, também aqueles que morreram cedo. Podemos sentir a presença de todos em nossos próprios corpos. Assim concordamos com todos eles e também conosco mesmos, a partir de nosso próprio corpo. Neles nos aconchegamos, permitimos que nos envolvam e nos tornamos um com eles. Através desse movimento experimentamos o nosso destino especial: de nossos pais, de nossos ancestrais, mas também de nossas próprias ações e nossa culpa. E concordamos com esse destino: "Sim, este é o meu destino, e eu concordo com ele."

     Então se acrescenta algo mais. Pois para além de nossos pais e ancestrais, nos encontramos igualmente em conexão com algo maior, que nos toma a serviço e também a eles. Desse algo maior surge, para cada um de nós, uma determinação especial, uma tarefa e, desse modo, também a força para nos expormos a ela. Concordando com isso, ficamos livre, sem nos distrair em função de nossos desejos mais imediatos. Somos preenchidos com algo maior.

7.5.2  Na família de um cliente

     Talvez olhemos em seguida para um cliente que vem até nós e que necessita de ajuda. Quando olhamos para ele, vemos e sentimos ao mesmo tempo seus pais, do modo que são ou foram, e concordamos com eles, com respeito e amor. Em seguida olhamos para seus avós e bisavós, para todos seus ancestrais, para todos aqueles membros de sua família que morreram cedo. Através do cliente eles se tornam presentes para nós e fazemos uma reverência a eles e pedimos seu auxílio. Assim não somos nós que começamos a cuidar dele. Seus ancestrais nos apoiam e, além disso, algo maior do qual todos nós participamos. Talvez compreendamos a sua designação, sua tarefa e seu destino. E concordamos.

     Agora sentimos o quanto estamos conectados e, ao mesmo tempo, separados dele. Tornamo-nos cuidadosos de uma forma que, independentemente do que fizermos, estamos sempre em sintonia com sua família, seu destino e talvez também com sua morte.

     Algo mais. Quando alguém está magoado com seus pais, acusando-os, repreendendo-os, talvez desprezando-os, eu permaneço em sintonia com seus pais e antepassados. Nesse caso me recuso a ajudá-lo, pois se ele não pode dar esse primeiro passo vital, a oportunidade para que eu desenvolva o meu papel está perdida. O que, no entanto, ainda pode ajudá-lo? Quando, em sintonia com ele, eu o entrego ao seu destino. Assim, talvez ocorra uma mudança, que o ajudará.

     Imaginem o que aconteceria se vocês assumissem o lugar dos pais dele, tentando ajudá-lo, opondo-se a seus pais, agindo sem a benção dos mesmos e sem a benção de seu destino. Permanecer em sintonia, aqui, exige grandeza.

     Muitos distúrbios surgem quando alguém não pode ser criança em uma família, pois a partir de um emaranhamento, algo lhe é imposto, algo que torna a sua ligação com os pais impossível. Quando, por exemplo, precisa expiar, repetir destinos que não são seus. Então podemos ajudá-lo, à medida que investigamos a questão até encontrarmos a ordem adequada que o liberta de sua carga e lhe possibilita ser criança, tomando, enquanto criança, aquilo com o qual foi presenteado.

7.5.3  Dissonância e ressonância

     Quando encontramos uma pessoa, encontramos ao mesmo tempo seu pai e sua mãe. Pois cada pessoa é seu pai e sua mãe. Estão presentes através dele. Seus antepassados também estão presentes. Por isso, quando encontramos uma pessoa, encontramos simultaneamente muitas outras. Quando respeito uma pessoa, respeito, a partir dela, também seus pais e seus ancestrais.

     Aqui neste trabalho isto fica visível. Fica igualmente visível quando alguém se encontra internamente separado de seu pai, de sua mãe ou de outras pessoas de sua família. Onde quer que isso aconteça, a pessoa se sente incompleta e o sistema ao qual pertence sente-se fora de ordem. Por isso, o objetivo deste trabalho é incluir novamente aquelas pessoas de nossa família das quais estamos separados ou as quais rejeitamos ou esquecemos. Assim nos sentimos completos, e o sistema como um todo, também.

     Desse modo, o real processo que ocorre neste trabalho é a união daquilo que se encontra separado. Por isso, este é um trabalho de reconciliação e de paz.

     Quando alguém adoece, encontra-se separado de algo em seu corpo ou, então, algo em seu corpo não se encontra em sintonia com ele. Podemos dizer também que o órgão, que causa dor se encontra em dissonância com ele.

     Porém, podemos observar que muitas vezes esse órgão que se encontra em dissonância, está em ressonância com outra pessoa. Quer dizer, quando alguém de nossa família se encontra excluído ou quando rejeitamos alguém, aquele que foi excluído, frequentemente manifesta-se em nosso corpo a partir de uma doença ou uma moléstia. Sendo assim, o órgão que causa dor encontra-se em ressonância com uma pessoa excluída. Quando, no entanto, conseguimos entrar em ressonância com a pessoa excluída, o órgão que causa dor pode entrar em ressonância conosco, e ele e nós nos sentimos melhor.

7.6  A outra maneira das Constelações familiares

     A outra maneira das Constelações familiares é um desenvolvimento das mesmas. Ficou claro, desde o início, que nas Constelações familiares os representantes sentem como as pessoas reais. A partir das experiências das Constelações familiares, resultaram certos padrões ou ordens do amor. Por exemplo, sabemos que, via de regra, os filhos precisam estar diante dos pais de acordo com a sequência da idade e que parceiros anteriores dos pais possuem importância especial.

     Também aqui foi possível observar essa regra. O homem representou o parceiro anterior de sua mãe, porém não exatamente. Nesse sentido, nem sempre é possível seguir essa regra. Aqui algo diferente veio à luz: ele representou a vítima do parceiro anterior.

     Portanto, algumas ordens do amor foram encontradas através das Constelações familiares. Eu as descrevi, sendo possível trabalhar com elas. Podemos, por exemplo, refletir com a sua ajuda sobre qual seria o passo seguinte. Porém, com o decorrer do tempo, ficou claro, que a alma e o espírito, quando concedemos espaço a eles, podem ir mais longe e encontrar ainda outras soluções totalmente diferentes.

     Com o decorrer do tempo pudemos fazer as seguintes observações em relação às Constelações familiares: muito frequentemente o ajudante pode-se retrair e deixar o que está acontecendo seguir o seu curso, porém, não se torna passivo. Permanece inteiramente presente. Subitamente sabe o que precisa ser feito. Então interfere. O ajudante permanece conectado com o que está acontecendo e age na hora certa, mas não através do raciocínio, e sim, em sintonia com um movimento do espírito.

     Muitos ajudantes se assustam com isso, pois não estão mais seguros de como algo continua. Precisam se entregar a algo maior. Assim, alguns preferem retrair-se diante daquilo que conhecem.

7.6.1  O desejo

     Farei um pequeno exercício com vocês, bem rápido. Imaginem que desejam ajudar alguém. Como ele se sente? E vocês, como se sentem? O que ocorre com a força dele e com a força de vocês?

7.6.2  Dimensões da ajuda

     As Constelações familiares são um método que se desenvolveu de acordo com a experiência. Várias compreensões muito importantes vieram à luz através delas. Por exemplo, como os emaranhamentos se formam e como podemos nos libertar dos mesmos. Além disso, as ordens do amor nos relacionamentos tornaram-se claras e transparentes a partir das Constelações familiares. Porém, a mesma postura que possibilitou as Constelações familiares, isto é, a abertura diante daquilo que se revela, nos conduz em direção a outras e novas experiências. Por isso, sempre algo de novo é acrescentado.

7.6.3  Atuar através da não-ação

     O que surgiu de novo foi principalmente o fato de observarmos que, quando concedemos espaço ao representante para que este possa se entregar aos movimentos de alma, novas dimensões da ajuda se revelam. Quando nos entregamos aos movimentos da alma, permanecemos em movimento. Quem se detém fica paralisado, e a alma se retrai diante dele. Por isso o trabalho é um constante desafio. Está longe do fim e nem pode chegar ao fim, pois a alma jamais se detém, encontra-se em fluxo.

     O que há de especial aqui é o fato de o ajudante entrar em sintonia não apenas com o cliente, e sim, para além dele, também com sua família, seu destino, sua morte e com algo que aponta uma direção para o cliente. Por isso, o ajudante se contém por inteiro. Quando entra em sintonia com o cliente dessa maneira e quando se encontra igualmente em sintonia consigo mesmo, com seus limites e com o movimento de sua alma, que por vezes exige algo difícil e novo dele, que o leva em direção a algo que exige coragem e amedronta, pode, em consonância com sua alma e a do cliente dizer ou fazer algo decisivo, algo que tanto a sua alma como a do cliente reconhecem como certo. Ele não penetra de fora para dentro, não deseja conduzir nada. Algumas vezes, dá um pequeno impulso em sintonia com o fluxo ou então se contém até que as coisas fluam de modo adequado. Por isso, sempre me surpreendo em relação àquilo que de repente se revela como possibilidade e com os efeitos apesar de aparentemente não fazer nada. Porém, esse não-fazer é presença absoluta. É um não-fazer altamente consciente. Desse modo, aquele que se encontra na presença daquele que não age pode efetuar, por si só, o essencial.

7.6.4  Os iniciantes

     É fato que muitos que começam com este trabalho ainda têm seus determinados limites. Alcançarão menos, em função disso? Quando estão em sintonia com os seus limites, a alma atua de um modo determinado. Quando alguém assume que não pode fazer nada, que chegou aos seus limites, talvez isso tenha o maior efeito na alma do outro. O ajudante precisa realmente confiar em sua alma. Por isso, o grande Freud já descobriu que, algumas vezes, os iniciantes tinham mais sucessos que os macacos velhos. Pois são modestos, e isso concede espaço à alma.

7.6.5  Confiar na alma

     Como é possível trabalhar da maneira como demonstrei aqui? Sou vidente? Não. O representante é vidente quando, de repente, sente o que está acontecendo? Não. Ele está apenas conectado. Assim como eu. Então, eu me exponho à situação, porém com responsabilidade. O representante não tem responsabilidade, demonstra apenas o que ocorre com ele, enquanto um ajudante mantém um todo maior em seu campo de visão e sentimento.

     De forma similar ao representante, abstraio-me daquilo que sinto momentaneamente, isto é, de meus próprios sentimentos, de meu próprio pensamento e de minha própria intenção. Deixo-me guiar, sem temor. É esta a postura básica aqui. Assim por vezes digo frases que algumas vezes causam uma reação forte nas pessoas: "Como pode!" Muitos dentre vocês sentiram as mesmas frases, porém não tiveram coragem de dizê-las. Quando estamos em sintonia, mesmo o mais ousado é adequado. Podemos verificá-lo a partir do efeito.

     Então, nos expomos à situação tal qual ela é e nos movimentamos em sintonia com o sistema maior. Mas assim como o representante às vezes demora até sentir qual o movimento essencial, o ajudante também demora. O representante não sabe para onde o movimento o conduz. Eu também não sei. Após um tempo sinto: é este o passo seguinte. Por exemplo, que devo acrescentar uma pessoa. Sinto igualmente se deve ser um homem ou uma mulher. Confio nesse sentimento e nesse movimento. Através deles o essencial fica, sem o auxilio de nenhum artifício, o mais denso possível. Em seguida eu me recolho novamente. A alma do cliente continua trabalhando sem mim.

     Podemos entrar em sintonia com esta postura. Aqueles que já foram escolhidos mais vezes como representantes têm facilidade de entrar em sintonia. Já sabem o quanto podem confiar neste movimento. Após um tempo isto se assemelha ao ato de caminhar de olhos vedados, no escuro, e mesmo assim encontramos exatamente aquilo que é certo. Naturalmente não de modo perfeito. Algumas vezes ocorrem erros, é óbvio. Porém, isso não tem importância, pois os erros se compensam dentro do movimento mais amplo. É muito difícil e são necessários grandes esforços para desviar a alma do caminho certo.

     Um ajudante sente se continua em sintonia ou não através do fato de estar calmo. Enquanto permanece calmo, tudo vai bem. A partir do momento em que ele ou o grupo se torna inquieto, não está mais conectado. Então existe apenas um remédio: interrompemos imediatamente.

7.6.6  A proteção

     Neste trabalho algumas vezes alcançamos dimensões que são perigosas. Sendo assim, precisamos mover-nos com o máximo de cautela. É perigoso para o terapeuta expor-se cegamente a uma situação. Não é sempre que é capaz de medir imediatamente o que a situação exige dele. Poderá expor-se a ela apenas quando tem alguma proteção.

     A proteção vem do vazio. Apenas quando nos expomos para além de todos os desejos e todo temor a algo maior, e quando nos movemos apenas até o ponto que este nos conduz e leva, podemos e devemos fazer este trabalho. Apenas quando não fomos mais adiante do que nos é permitido, mas também quando não hesitamos diante daquilo que as circunstâncias exigem de nós, saímos inteiros de uma situação como essa.

     Quando alguém acredita que basta arregaçar as mangas e encarar o trabalho, pode se perder. Mais não posso dizer sobre isso. De qualquer modo, aquele que realmente se envolve com esse trabalho será levado para um caminho que exigirá dele o máximo, mas também o presenteará com o máximo.

7.6.7  O incompleto

     Quero dizer algo sobre a completude. A completude está relacionada com o final. Aquilo que se encontra completo está encerrado. Por isso, aquilo que permanece ainda está incompleto. O incompleto tem a força de continuar se desenvolvendo. O que está completo pode ser descartado.

     Por que digo isso? Também o trabalho aqui é incompleto. Possui força justamente por ser incompleto. O ajudante para no ponto, quando percebe a maior concentração de força. Quando algo se encontra encerrado e, mesmo assim, continuamos, por acreditar que devíamos fazer mais, sentimos de repente: o trabalho se esgotou. Não há mais força.

     Às vezes, quando encerro no auge da força, algumas pessoas têm a impressão de que existe algo a mais a ser feito. Dirigem-se então ao cliente em questão, fazem-lhe perguntas e desejam continuar o trabalho segundo seu próprio ponto de vista. Desse modo interferem em algo vivo. Pois o que é vivo cresce. Às vezes sem percebermos. Porém, quando após um tempo, olhamos novamente para trás, ficamos admirados com o tamanho da planta ou como o bezerro se transformou em uma vaca.

     A paciência de deixar algo agir do seu modo, desenvolvendo-se segundo sua própria força e velocidade, é importante para este trabalho. É importante também que o ajudante tenha confiança na possibilidade da questão se desenvolver a partir de sua própria força. Essa paciência é igualmente importante para o cliente ou para aqueles que acreditam precisar ajudar os outros, para que o processo se acelere.

     Aquilo que ocorre atua de modo atemporal. A imagem que se forma aqui é uma imagem atemporal, que atua justamente quando pode tomar espaço na alma sob esta forma, mas não por estarmos fazendo algo e sim, porque a imagem simplesmente está presente. Com a sua força tranquila, leva algo a se movimentar.

7.6.8  Crescer em harmonia

     Quero dizer algo sobre como aplicar o que aprendemos aqui. Aplicamos isso em sintonia. Primeiramente em sintonia consigo mesmo. No entanto, posso estar em sintonia comigo mesmo apenas quando me encontro em sintonia com meus pais. Quando, por exemplo, olho para eles e digo: "Nada é mais belo para mim do que vocês. Nada é melhor. Tudo que há de grande chega a mim através de vocês. Com vocês, tudo começou."

     Desse modo abro meu coração para tudo que procede dos meus pais. Sendo assim, não estou apenas em sintonia com eles e sim, com os meus ancestrais, meu país, meu povo e minha religião. Nasci no meio desse contexto e ele faz parte de mim.

     Quando me encontro em sintonia dessa forma e quando considero tudo não preciso me opor a nada. Não preciso me opor àquilo que está em ordem.

     De repente estou livre para desabrochar e meus pais, meus ancestrais e tudo aquilo que foi precioso, quando criança, alegram-se com isso. À medida que desabrocho honro todos eles. E eles se alegram com o meu desenvolvimento.

     Quando encontro alguém que solicita a minha ajuda, entro em sintonia com sua alma, seus pais, seus ancestrais, seu país, sua cultura e sua religião. Por não ter resistência contra coisa alguma, pode confiar em mim e eu nele. Nesse movimento de sintonia conjunta, ficamos mais ricos e amplos.

     Quando vocês se permitem entrar em sintonia consigo mesmos, com seus pais e com seu destino e quando entram em sintonia com o outro e seu destino - e algumas vezes isto também significa entrar em contato com a doença e a sua morte, do mesmo modo que eu me encontro em sintonia com minha doença, minha dificuldade e minha própria morte - então algo age por si mesmo entre nós, totalmente por si mesmo. Algo acontece sem precisarmos agir.

7.6.9  A não-ação

     Os grandes místicos, também no Islamismo e na China, neste caso Lao Tse, atuam através da não-ação. Não por serem preguiçosos. Expõem-se ao todo, observam o que acontece e mesmo assim se contêm. Sobretudo se contêm no desejo de ajudar. Deste modo não interferem em nada. Então, tudo pode se desenvolver por si só e de acordo com cada um.

     Esse desenvolvimento não possui um objetivo certo. Algumas pessoas prescrevem objetivos para os seus pacientes, dizem o que deveriam alcançar para se tornarem saudáveis. Quando alguém enfim alcançou esse objetivo, tornou-se o quê? Uma criança.

     Quando alguém experimenta, dentro de si, o que significa estar em sintonia, algumas vezes se encontra em situações onde percebe: agora é adequado dizer algo, às vezes uma única frase. Nesse momento uma face se ilumina, e algo se transforma. Então passamos adiante, para não continuar olhando. Pois quando continuamos olhando por mais tempo, impedimos o desenvolvimento do outro. Isto significa que fazemos o bem, de passagem.

     Na verdade podemos nos alegrar com isso. Porém, o que acontece quando permanecemos na alegria? Não vemos a próxima oportunidade. Por isso, simplesmente continuamos e, de repente, ficamos admirados com tudo aquilo que alcançamos, sem nenhum esforço, sem nenhuma aprendizagem. Simplesmente crescendo.

7.6.10  Os caminhos diversos

     Quando os pintinhos saem da casca correm para diversas direções. Constroem seus próprios ninhos e geram seus próprios pintos. Sendo assim, o trabalho com as Constelações familiares e com os movimentos da alma cresce de modos variados. Presencio todas essas buscas com bons pensamentos e de coração aberto.

     Vejo que esses caminhos diversos, quando se respeitam mutuamente, contribuem para a plenitude de modo especial. Se trilhássemos todos o mesmo caminho, alcançaríamos apenas uma parte do objetivo. Quando aspiramos ao objetivo simultaneamente através de muitos e também diferentes caminhos, a plenitude aumenta para todos. Para mim todos os caminhos são corretos e valiosos. Alegro-me quando as sementes que pude semear florescem e trazem frutos, independentemente do lugar onde caíram.

7.6.11  História: Duas maneiras de saber

     Um erudito perguntou a um sábio
como as partes se unem num todo
e como o saber sobre as muitas partes
se diferencia do saber sobre o todo.
O sábio respondeu:
"O disperso se agrega num todo
quando encontra seu centro
e passa a atuar.
Pois só tendo um centro, o muito torna-se
essencial e real,
e o todo então se nos revela como algo simples
quase como pouco,
como força serena que segue adiante,
que permanece embaixo
e contígua àquilo que sustenta.
Para experimentar
ou transmitir o todo,
para comunicá-la
não preciso
saber,
dizer,
ter,
fazer,
tudo em detalhe.
Quem quer entrar na cidade
passa por uma única porta.
Quem dá uma badalada num sino
faz retinir, com esse único som, muitos outros.
E quem colhe a maçã madura
não precisa averiguar a sua origem.
Ele a segura na mão
e a come.
O erudito não concordou: quem quer a verdade,
tem que conhecer também todos os detalhes.
O sábio, porém, contestou.
Sabe-se muito sobre a verdade que nos foi legada.
A verdade que leva adiante
é nova,
e ousada.
Pois ela contém o seu fim
assim como uma semente, a árvore.
Portanto, aquele que ainda hesita em agir,
porque quer saber mais
do que lhe permite o próximo passo,
não aproveita o que faz.
Ele toma a moeda
pela mercadoria,
e transforma em lenha
as árvores.
O erudito achou
que essa poderia ser apenas uma parte da resposta
e pede-lhe
um pouco mais.
Mas o sábio se recusou,
pois o todo, no princípio, é como um barril de mosto:
doce e turvo.
E precisa fermentar durante um tempo suficiente
para ficar claro.
Então, aquele que o bebe, em vez de degustá-lo,
passa a cambalear embriagado.

7.6.12  Outras publicações sobre o tema ajuda

No fundo, na maioria de minhas publicações, trata-se do tema ajuda à vida. Por isso aqui se encontra apenas uma seleção.

7.6.12.1  Livros

     Ordens do amor

     Um guia para o trabalho com Constelações Familiares

     424 p., 3a. Edição 2007, Editora Cultrix

     Der Austausch

     Fortbildung für Familien-Steller

     227 Seiten. 141 Abb. 2002 Carl-Auer-Systeme Verlag

     Ordens da ajuda

     Um livro de treinamento

     238 p., 2a. edição 2008, Editora Atman

     O essencial é simples

     Terapias breves

     244 p., 2a. edição 2006, Editora Atman

     A fonte não precisa perguntar pelo caminho

     Um livro de consulta

     342 p., 2a. Edição 2007 , Editora Atman

     Histórias de Amor

     182 p., 2007, Editora Atman

     Um lugar para os excluídos

     Conversas sobre os caminhos de uma vida Bert Hellinger e Gabriele ten Hõvel.

     148 p., 2006, Editora Atman

7.6.12.2  Vídeos

     Die Seele schenkt

     Schulung in Kóln 2 Videos, 4 Stunden, 50 Minuten

     Ordnungen des Helfens

     Schulung in Bad Nauheim

     2 Videos 2 Stunden, 32 Minuten

     Helfen - eine Kunst

     Schulung in Salzburg

     2 Videos 4 Stunden, 10 Minuten

     Helfen braucht Einsicht

     Schulung in Zürich 4 Videos 7 Stunden, 20 Minuten

     Helfen auf den Punkt gebracht

     Schulung in Madrid

     4 Videos 7 Stunden, 36 Minuten. Deutsch/Spanisch

     Dimensionen der Liebe

     5 Videos 11 Stunden. Deutsch/Franzõsisch

     Zu den Schulungsvideos gehõren auch die folgenden Videos vom Kurs für soziale und pâdagogische Berufe in Mainz:

     Helfen im Einklang

     1 Video 2 Stunden, 40 Minuten

     Kurzsupervisionen

     1 Video 2 Stunden, 35 Minuten

     Das andere Familien-Stellen

     1 Video 2 Stunden, 15 Minuten

7.6.12.3  DVDs

     Dimensionen des Helfens in der Praxis

     Schulung in Basel

     1 DVD 3 Stunden, 8 Minuten

     Liebe in unserer Zeit

     Schulungskurs Bad Suiza

     3 DVD 4Stunden, 31 Minuten

     Wie Liebe und Leben zusammen gelingen

     Kurstag Lebenshilfe in Aktion Leipzig

     2 DVD Gesamtlaufzeit 2 Stunden, 55 Minuten

     Schulungstag: Lebenshilfe in Aktion

     Neuchàtel

     3 DVD 2 Std., 40 Minuten. Deutsch/Franzõsisch

     Geistige Liebe - geistiges Heilen

     1 DVD, 1 Stunde, 57 Minuten

     Helfen braucht Einsicht

     4 DVDs, 7 Stunden, 19 Minuten

     Helfen auf den Punkt gebracht

     4 DVDs, 7 Stunden, 36 Minuten

     Das Gewissen und die Seele

     1 DVD, 45 Minuten